Os benefícios do vegetarianismo

07/01/2015 por Revista dos Vegetarianos

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Após a publicação de uma matéria que afirma que o vegetarianismo pode causar anemia e osteoporose, Fabio Chaves, do portal Vista-se, explica como uma dieta sem carne pode ser muito mais vantajosa


Na última segunda-feira, 5 de janeiro, o portal R7 afirmou em uma matéria que uma dieta vegetariano poderia causar deficiência de determinadas vitaminas, que levariam a quadros de anemia e osteoporose. Para provar que uma alimentação livre de crueldade é muito mais saudável, Fabio Chaves, colunista do mesmo portal R7 e do site veg Vista-se, publicou um texto que mostra que o vegetarianismo não causa anemia e osteoporose, além de poder prevenir doenças como o câncer e problemas cardiovasculares.

Confira o texto na íntegra:

Na manhã desta segunda-feira (5), o portal R7 publicou uma matéria sobre vegetarianismo com um título um tanto polêmico: “Quer se tornar vegetariano? Retirar carne pode causar anemia e osteoporose” (leia aqui). O título dá a nítida impressão de que uma alimentação sem carne levará o indivíduo a um quadro hospitalar sério. No conteúdo da matéria, o estagiário do R7 Luiz Guilherme Sanfins descreve opiniões de alguns profissionais de saúde ouvidos para o texto.

Os especialistas dizem que a falta de carne pode provocar a falta de ferro, de zinco e de vitaminas do complexo B. Como consequência, alegam que vegetarianos estão mais suscetíveis a sofrerem de anemias e de transtornos neurológicos. Logo o leitor tende a concluir que a carne é essencial para o bom funcionamento do organismo, o que não é verdade.

Todos os nutrientes encontrados na carne podem ser conseguidos em alimentos de origem vegetal, com exceção da vitamina B12, produzida por bactérias. Essa vitamina pode facilmente ser reposta através do consumo de alimentos fortificados ou de suplementos. A B12 não está presente em alimentos de origem vegetal porque nosso consumo de bactérias é cada vez menor por conta dos métodos de higienização dos alimentos, que são necessários. Quem explica essa questão a fundo é o Dr George Guimarães, nutricionista (CRN-3 7708), em matéria publicada no Vista-se (leia aqui).

Assim, o que é essencial ao nosso organismo são os nutrientes e não a carne, como pregam profissionais de saúde desatualizados. Para entender melhor, basta pensarmos que a carne de cachorro é tão ou mais nutritiva que a de gado. Mas é claro que você nunca viu um nutricionista exaltando os nutrientes presentes neste tipo de carne. Não é apenas pelo fato de que não há abatedouros para esses animais no Brasil, mas também porque são “alimentos” repugnantes por aqui. Sabendo disso, o profissional precisa indicar outra fonte nutricional ao invés de ficar lamentando os nutrientes que deixarão de ser consumidos sem a carne, seja ela qual for.

Um profissional também citou na matéria publicada no R7 que pessoas que não tomam leite de vaca podem estar perto de desenvolver osteoporose. Apenas para citar o último estudo sobre o assunto, publicado no British Journal of Medicine (saiba mais), o consumo de apenas 3 copos de leite por dia dobraram as chances de morte de mais de 61,4 mil mulheres acompanhadas pelos estudiosos. O leite é ruim não apenas para os ossos, mas também aumenta as chances do desenvolvimento de diversas doenças, inclusive de alguns tipos de câncer. Muitos médicos e nutricionistas citam os laticínios como causadores de enfraquecimento dos ossos. E faz sentido: os países com maior consumo de leite e derivados são justamente os que mais têm casos de osteoporose registrados – e não é coincidência.

Segundo um relatório da ONU publicado em 2013 (leia aqui), 70% das doenças modernas são causadas pelo consumo de produtos de origem animal. Isso significa que poderíamos evitar 7 em cada 10 enfermidades apenas mudando nossos hábitos para uma alimentação vegetariana, sem carne, ovos ou laticínios.

Se pensarmos nos alimentos como fontes de nutrientes, entenderemos que podemos variar entre eles sem deixar de ingerir nenhuma vitamina ou mineral. É possível abandonar carnes, laticínios e ovos com segurança, desde que sua alimentação não seja baseada em frituras e porcarias industrializadas. Exemplo: nós precisamos do ferro para evitar anemias e do cálcio para a saúde dos ossos. Carnes e laticínios têm esses nutrientes, mas não são as únicas fontes. A couve refogada, tão conhecida dos brasileiros, têm mais cálcio que o leite de vaca (saiba mais) e é cheia de fibras. O feijão, parte integrante da nossa culinária, é muito rico em ferro e outros minerais essenciais.

É importante ressaltar que até o governo brasileiro confirma que não precisamos de produtos de origem animal. O Guia Alimentar Para a População Brasileira, lançado em novembro de 2014, traz o alerta do Ministério da Saúde sobre os problemas do consumo de produtos de origem animal e traz também textos claros que dizem ser perfeitamente possível viver sem carnes, leite e ovos (leia aqui).

Portanto, se você quer ser vegetariano, não pare no primeiro texto que ler na internet. Procure estudos e informações oficiais para ajudar você em sua decisão. E lembre-se: você precisa dos nutrientes e não de um ou outro alimento específico. Há sempre formas éticas de obtê-los.

 

 


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